segunda-feira, 28 de setembro de 2009

As Mudanças Inevitáveis


No grande cenário da cultura no Brasil, a intervenção do Estado sempre foi bastante crítica, ora por uma ausência, ora por uma política pública calcada em mecanismos de fomento, como atualmente.
Mas sempre e sempre há o momento da ruptura do modelo vigente, por saturação dos métodos, processos e ao fim, seu sentido público.
E foi o que se observou neste ano de 2009, quando o Ministério da Cultura implementou duas grandes linhas de ação para modificar o processo e o procedimento de fomento capital à iniciativa de produção cultural da sociedade.
De um lado, numa escala interna, no âmbito do procedimento implantou o SALICWEB, um portal de inscrição dos projetos de cultura destinados à qualificação para o Mecenato Incentivado, um dos mecanismos da Lei 8313/1991.
A outra grande iniciativa diz com a mudança da política pública, fundada na própria Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.
Além disto, outro marco será a II Conferência Nacional de Cultura, que ocorrerá em 2010 e provavelmente seja o grande palco de consolidação das mudanças que agora vem sendo planejadas e gradativamente implantadas.
O que se espera deste processo é um sistema de cultura pública capaz de capitalizar ações de valor agregado para a sociedade, num misto de participação público-privada diferente do atual modelo, embora dele decorrente.
Fábio André Chedid Silvestre
NMConhecimento

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Parque Histórico de Carambeí um Espaço Museal Aberto nos Campos Gerais



O Brasil passa por um momento cultural ímpar no segmento de MUSEUS, o que redunda em valorização do Patrimônio Cultural enquanto Meio Ambiente e das oportunidades de sua preservação estabelecidas na Constituição Federal.



Além disto, uma série de eventos étnicos tem se sucedido com a celebração de movimentos imigratórios (como o Japonês em 2008 e o Holandês em 2011), ou intercâmbios multi-culturais como o da França neste ano.



Neste momento o Governo Federal legitimou mais uma autarquia para dar suporte às políticas públicas no segmento, o IBRAM – Instituto Brasileiros de Museus, que juntamente com o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico tem a missão de gestionar as ações de Estado em face do Patrimônio Cultural bem como as infra-estruturas de seu suporte, entre elas os museus e a visão evolucionista dos espaços museais.



A evolução dos conceitos de Museu como espaço, transcenderam do tradicional local de guarda de acervo, para um território de criação de significados sociais a partir dos anos de 1970, melhor expresso na, Declaração de Quebec, de 1984, representando a intenção da Nova Museologia, assim expresso:

1. Consideração de ordem universal


A museologia deve procurar, num mundo contemporâneo que tenta integrar todos os meios dedesenvolvimento, estender suas atribuições e funções tradicionais de identificação, de conservação e deeducação, a práticas mais vastas que estes objetivos, para melhor inserir sua ação naquelas ligadas ao meio humano e físico. Para atingir este objetivo e integrar as populações na sua ação, a museologia utiliza-se cada vez mais da interdisciplinariedade, de métodos contemporâneos de comunicação comuns ao conjunto da ação cultural e igualmente dos meios de gestão moderna que integram os seus usuários.Ao mesmo tempo que preserva os frutos materiais das civilizações passadas, e que protege aqueles que testemunham as aspirações e a tecnologia atual, a nova museologia – ecomuseologia, museologia comunitária e todas as outras formas de museologia ativa – interessa-se em primeiro lugar pelo desenvolvimento das populações, refletindo os princípios motores da sua evolução ao mesmo tempo que as associa aos projetos de futuro. Este novo movimento põe-se decididamente ao serviço da imaginação criativa, do realismo construtivo e dos princípios humanitários definidos pela comunidade internacional. Torna-se, de certa forma, um dos meios possíveis de aproximação entre os povos, do seu conhecimento próprio e mútuo, do seu desenvolvimento cíclico e do seu desejo de criação fraterna de um mundo respeitador da sua riqueza intrínseca. Neste sentido, este movimento, que deseja manifestar-se de uma forma global, tem preocupações de ordem científica, cultural, social e econômica. Este movimento utiliza, entre outros, todos os recursos da museologia (coleta, conservação, investigação científica, restituição, difusão, criação), que transforma em instrumentos adaptados a cada meio e projetos específicos.”


Esta nova visão evidencia a noção de Patrimônio Cultural com um bem universal, da Humanidade através das Localidades, assim posto pelo ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios):


"Patrimônio cultural é uma noção muito ampla, pode-se dizer que é tudo o que se relaciona com a cultura, com a história, a memória, a identidade das pessoas ou grupos de pessoas – coletividades de natureza diversa como grupos familiares, associações profissionais, grupos étnicos, nações –: são os lugares, as obras de arte, as edificações , as paisagens, as festas, as tradições, os modos de fazer, os sítios arqueológicos. É tudo o que, para determinado conjunto social, interessa proteger por ser considerado como cultura própria, o que é base de sua identidade, o que o faz distinto de outros grupos, incluindo não somente monumentos e outros bens de caráter físico, mas a experiência vivida, que se condensa na linguagem, nos conhecimentos, nas tradições, nos modos de usar bens e espaços."


Estes valores, estão muito bem evidenciados no projeto do Parque Histórico de Carambeí, uma infra-estrutura cultural multi-uso de caráter museal aberto na forma de parque desenvolvido como resultado de uma parceria público privada, é um indutor de arranjo produtivo local cultural.


Como local de fazer (produção cultural) e local de destino (turismo cultural).

Fábio André Chedid Silvestre

NMConhecimento

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um APL de Turismo Cultural nos Campos Gerais



O Turismo tem desenvolvido vertentes cada vez mais especializadas, qualificando-se por segmento.

Um deles é o Turismo Cultural, onde predominam os destinos que contenham ou programação cultural variada, ou seja ele próprio Patrimônio cultural, ou ambos.

Os Campos Gerais do Paraná, uma locação geográfica preponderante no segundo planalto do estado, distante cerca de 100 Km da capital Curitiba, caracterizou-se por sua história marcada pela presença dos índios, depois dos Tropeiros e mais recentemente dos imigrantes europeus que ali vieram desde os fins do século XVIII.

Politicamente fazem parte desta organização geográfica um conjunto de 18 municípios, associados através da AMCG (Associação dos Municípios dos Campos Gerais), e que mantém traços muito semelhantes, tanto nos aspectos de natureza e meio ambiente, como da presença marcante das culturas européias, coisa também observada nas regiões vizinhas, o que expande a oportunidade de oferta de conteúdos culturais.

Por ser uma região muito bem servida de infra-estrutura física de mobilidade (estradas), e pela proximidade média entre os municípios componentes, tem sido fixada como rota turística oficial, tanto ecológica e rural como cultural, nos aspectos de patrimônio histórico.
Tais características são reconhecidas pelo poder público, quando em nível estadual criou o a rota denominada “Cenários do Tempo” e no âmbito federal a “Rota dos Tropeiros”.

Em linhas institucionais gerais a região esta bem servida de destinos e roteiros, mas pode ser muito melhorada à medida da formação de um Arranjo Produtivo Local (APL), para consolidar a integração entre economia, governança público-privada e desenvolvimento sustentável.

O conceito de APL já é bem desenvolvido no Paraná, através da ação das iniciativas locais, do governo do estado, da Federação das Indústrias/IEL, bem como foi recentemente matéria da edição dominical do jornal Gazeta do Povo.


Cabe conceituar APL, que pode assim ser entendido:

Arranjos produtivos locais são aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e
sociais - com foco em um conjunto específico de atividades econômicas - que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas - que podem ser desde produtoras de bens e serviços finais até fornecedoras de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, clientes, entre outros - e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos (como escolas técnicas e universidades); pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento
.” (CASSILATO e LASTRES, 2003)

Contudo, ainda não existe no Paraná nenhum arranjo produtivo de caráter turístico cultural, como há no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro entre outros.

Assim, os Campos Gerais já tem maturidade crítica e experiência suficiente para o desenvolvimento e posicionamento de seu próprio arranjo produtivo local, pois possui:

L – Territorialização definida com identidades geográfico-política;
P – Vocação desenvolvida a partir das tradições histórico culturais, com amplo patrimônio histórico material e imaterial;
A – Sinergias entre os atores identificados, através da AMCG e das parcerias que esta instituição tem dimensão para realizar local, estadual, federal e internacionalmente;
Um exemplo brilhante desta fase é o Projeto do Parque Histórico de Carambeí, que servirá de cenário para a comemoração dos cem anos da imigração holandesa nos Campos Gerais em 2011.

Estamos atingindo um ponto de evolução adequado para o desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local de Turismo Ambiental dos Campos Gerais.




Fábio André Chedid Silvestre
NMConhecimento

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bibliotecas Virtuais, uma Segmentação do Conhecimento no Ciberespaço.

Maria Helena Vieira da Silva, "Biblioteca", 1949

Uma das principais expectativas dos usuários da web é encontrar conteúdos segmentados, como se estivessem acessando-os fisicamente.

Isto permite a celeridade de relacionamento entre o conteúdo e o internauta, especialmente quando são repositórios de instituições reconhecidas e referenciais.

Desde a antiguidade clássica, o homem já vem aglutinando os conhecimentos adquiridos em bibliotecas, como a de Alexandria no Egito, datada do terceiro século A.C.

Hodiernamente, as bibliotecas passaram a ser disponibilizadas através da internet, virtualizando grande parte de seus valores.

Para o IBICT-Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, a definição desta modalidade de biblioteca esta assim descrita:

As Bibliotecas Virtuais são coleções organizadas de documentos eletrônicos, onde cada fonte de informação possui dois atributos relacionados: os relativos ao seu conteúdo e os que identificam de forma descritiva o documento.”

Outras grandes iniciativas também já se encontram bastante elaboradas, tanto em caso de acervos internos quanto na catalogação das próprias bibliotecas.

Um excelente exemplo de acervo bem apresentado é o Projeto Rede da Memória Virtual Brasileira, da Fundação Biblioteca Nacional, que trafega por todo o período histórico brasileiro e oferece conteúdo qualificado.
Vale ressaltar a profundidade da recém lançada Biblioteca Digital Mundial da Unesco.

Como representação de conjunto de bibliotecas, a iniciativa do CGI – Comitê Gestor da Internet no Brasil, traz uma coleção de links que apresentam um surpreendente variedade de instituições e conteúdos, segmentados assim:






Com esta lista pode-se encontrar uma miríade de conteúdos exclusivos, e que antes só poderiam ser acessados fisicamente.

Este território de conhecimento agora não precisa mais daqueles velhos avisos de “SILÊNCIO” nas paredes, cada qual pode, no conforto de sua individualidade procurar as leituras que melhor lhe sirva.

Boa Pesquisa.

Fábio André Chedid Silvestre
NMConhecimento

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Patrimônio Histórico

A lembrança das qualidades históricas de um povo permite a estruturação do futuro.
Ter feito história, tornado-se patrimônio público e social perpétuo é um dos principais objetivos das sociedades avançadas, aquelas que se pretendem futuras.
Uma visão sobre o tema, patrimônio material (as coisas) e imaterial (os fazeres e saberes):



Núcleo de Mídia e Conhecimento

Uma Vida de Privilégios



A palavra privilégio porta alguns dos seguintes sentidos, entre outros, segundo o Michaelis
pri.vi.lé.giosm (lat privilegiu)

1 Direito, vantagem ou imunidades especiais gozadas por uma ou mais pessoas, além dos direitos comuns dos outros.
2 Licença ou permissão dada a certas pessoas ou coisas com exclusividade.
3 Direito, graça peculiar, prerrogativa.
4 Dom natural do corpo ou do espírito.
5 Dir Posição de superioridade, sancionada ou não por lei ou costumes, decorrente da distribuição desigual do poder político ou econômico.

As recentes questões postas em face dos gastos excessivos do Congresso Nacional, desde as passagens aéreas, as incorporações salariais, verbas de gabinete, apartamentos funcionais, nepotismo, bem como a constatação de que temos uma Poder Legislativo dos mais caros e ineficientes do mundo nos permite verificar o seguinte:

a) Precisamos disto e da forma como está?
b) Ainda que fosse adequado o custeio, recebemos a contrapartida do serviço demandado?
c) Os vícios decorrentes desta cristalização de privilégios não fazem somente piorar o futuro das escolhas que teremos?
d) Como imediatamente, alienar os interessados nos privilégios, impedindo-os de manipular as fontes e mecanismos de custeio?

Sem discutir as funções públicas dos Poderes de Estado, especialmente considerando que devem ser realizadas com autonomia institucional e segurança jurídica, é possível desbaratar o novelo de privilégios nefastos que formam ao longo do tempo, sendo criados e cristalizados em favor de pessoas e em detrimento das instituições?

Uma série de matérias de imprensa tem sido publicada neste sentido, umas dizem respeito ao custo excessivo desta função pública no Brasil:

- Fenafisp - Congresso brasileiro é mais caro que o do Primeiro ...
-
G1 Pesquisa: Congresso do Brasil é o mais caro
-
O Congressso Brasileiro é o mais caro do mundo para a população ...
-
Políticos Brasileiros são os mais caros do Mundo
- Congresso brasileiro é o que mais pesa no bolso da população ...


Outras abordam a ineficiência:
- Congresso aprovou menos de 3% dos projetos de 2008
- Notícias - ....para cada dois projetos apresentados ao Congresso Nacional pelo governo ... A "eficiência de 50%" é muito superior à verificada nas propostas cujos ...
-
Contas Abertas - ... Congresso: 15% das proposições apresentadas têm pouco impacto na vida do cidadão ... ou que não apresentam grande relevância para a população. ...
-
Congresso: 15% das proposições apresentadas têm pouco impacto na ...
-
Documento Reservado - Pedro Ribeiro - Mais de 50% das propostas legislativas não tem relevância ...

É portanto caro e ineficiente.

Com o modelo atual, não estamos conseguindo obter os melhores quadros, e com tantos privilégios temos uma maioria de representantes interessados nas benesses e não na produtividade.

A reforma política é inevitável, a reforma da administração dos serviços legislativos é inevitável e a escolha de membros mais qualificados da sociedade é inevitável.

A elite política encastelada não se presta mais à construção do futuro, pois quando entra na legislatura já está comprometida com o passado.

Temos mesmo que exigir apenas um serviço público de qualidade.

O problema é que as obrigações de serviço estão obnubiladas pelas benesses de poder.


Fábio André Chedid Silvestre

Núcleo de Mídia e Conhecimento

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Individualismo e Controle, a grande falha moral do capitalismo.



Ao ler o texto do Professor Marcos Fernades da FGV, postado no item anterior deste blog, logo salta aos olhos os dois elementos mais marcantes, e que se consubstanciaram na grande falha moral do Capitalismo atual.


A primeira diz respeito ao paradoxo GANANCIA x AMBIÇÃO:

Ambos os termos são cunhados por um traço marcante, o INDIVIDUALISMO, aquilo que se experimenta de forma intensa na democracia contemporânea, a liberdade exacerbada do "eu", e pior ,do "meu".

Aquilo que se reflete nas expressões consumidor, acionista, mas que não podem andar sem o conceito de cidadão, já que partes componentes e indissociáveis deste.

Os consumidores dos produtos das grandes corporações e os incentivadores financeiros da ciranda, os acionistas. E que, nestes casos são tão correponsáveis pela crise quanto qualquer executivo bonificado. Todos inflaram lucros inexistentes. São portanto culpados.

A segunda diz respeito às questões regulatórias, ditas pelo professor inexistentes. Coisa inadequada, pois o segundo nome do Capitalismo contemporâneo é MARCO REGULATÓRIO.

O que inexistiu foi o controle e fiscalização por parte dos acionistas, consumidores, mas especialmente por parte do cidadão. Veja que o Estado neo-liberal nesta equação, foi o grande garantidor do apocalipse econômico, enquanto mantinha guardadas as liberdades institucionais, fachada da grande lavanderia de capitais que agora estamos vivenciando.

O quer parece mais incrível é que não se trata de uma crise de fim de modelo, pois ainda estamos consumindo gasolina e água como se não fossem acabar.

O que estamos vivenciando é apenas a reacomodação (um eufemismo para reapropriação e lavagem de ativos) dos direitos de sobreviver ao fenômeno da volatilidade das expectativas exuberantes irracionais.

Já havíamos relatado a sequencia de ações securitárias que a economia real esta prestando à economia irreal, em nosso post "Patrocínio da Imcompetência".

Além disto, também sugerimos que a globalização não é um fenômeno econômico, mas genético, o que muda completamente o paradigma de expectativas sobre a circulação de riquezas, que não mais se encontra no "perpétum mobile" do capital, mas da continua associação em redes de pessoas, estas de fato a grande riqueza.

A questão posta é simples, a crise econômica foi legitimada pela falta de controle coletivo, pois os interessados, todos eles, e quem sabe em que medida cada um de nós, permitimos docemente esta tentativa fantasiosa de enriquecimento de indivíduos particulares em detrimento da sustentabilidade geral.

A América, a grande nação irracional, embora colorida e exuberante, matém uma grande quantidade de animais conservadores que ainda pensam-se individuais, e começam um movimento contrário ao Presidente Obama, com o seguinte slogan:


O que é meu não é seu e vice-versa, quando não afeta o que é nosso, de outra maneira, aos diabos com o conservadorismo capitalista.


Fábio André Chedid Silvestre
NMConhecimento