quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O valor dos “pequenos detalhes”






Toda tolerância se torna, com o tempo, num direito adquirido. A frase, de autoria do jornalista e político francês Georges Clemenceau, é apropriada para abrir a apresentação do tema desta Carta do Mês: os reflexos da ausência de uma cultura empresarial de tolerância zero ao não comprometimento com cuidados básicos, geralmente classificados como “pequenos detalhes”.

Qual empresa demonstra merecer maior credibilidade? Aquela na qual o funcionário, cliente, fornecedor ou parceiro de negócios tropeça na “tolerância” do tapete roto e do odor desagradável dos sanitários e senta-se na “tolerância” da cadeira desbotada ou aquela em que a “autoestima” da organização, garantida pelo zelo aos “pequenos detalhes”, reflete bem-estar, acolhimento e segurança? 

Acredito que esta é uma questão que deva ser tema de reflexão de todas as empresas, partindo de um conceito básico: A tolerância a um papel no chão ou a uma sala desorganizada pode chegar rapidamente à linha de produção e à área comercial, nas quais um produto fora de conformidade ou escorregões éticos passam também a ser “tolerados”.

Entretanto, a adoção da tolerância zero precisa ser cultivada e não imposta, como bem definiu Bernard Shaw ao afirmar que “aqueles que não conseguem mudar suas mentes não conseguem mudar mais nada”. 

Como exigir que o marketing construa uma imagem de qualidade, se este atributo, na sua essência, não é vivenciado ou não está disseminado no interior da empresa? 

O mercado percebe e identifica claramente essa dicotomia. A área comercial, por sua vez, se vê na condição de propagadora de um discurso muito mais “idealizado” do que praticado internamente. Neste contexto, a eficiência do marketing passa a depender, entre outras coisas, da performance e do brilho dos “atores” nas suas interpretações perante os clientes da organização. 

A “celebração” da qualidade passa a ser substituída pela “representação” da qualidade. 

Ser permissivo ou tolerar pequenas “transgressões” leva à degradação do todo. E é muito difícil e penoso reconstruir uma imagem de qualidade. 




Tarás Antônio Dilay
NMConhecimento

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Qual é o futuro que queremos ?


O Brasil vive um dilema ético. A sociedade é bombardeada com informações a cada instante e grande parte delas se refere a desvios de conduta, principalmente no setor público. Na política deposita-se toda a esperança pela construção de um país melhor.

Felizmente conquistas também são vistas, a exemplo de quando se conseguiu impor uma certa publicidade nas ações dos chamados poderes (executivo, legislativo e judiciário), com a transparência na coisa pública. Esta ação é um passo importante no desenvolvimento da democracia brasileira, tão jovem, mas que já começa a demonstrar maturidade.



Talvez por isso, nos últimos meses vimos uma série de escândalos e ministros caindo um a um, não pela simples incompetência ou pelo desacordo ideológico/conceitual entre as partes, mas por corrupção. Nestes casos há uma “investigação” que parece a nada levar e estes, ao que dá impressão, foram simplesmente escanteados até que o caso silencie-se. E este tipo de desvio de conduta se vê, infelizmente, por todas as esferas e a tática de silenciar-se também.

Diante a isto, pode-se perceber o discurso equivocado das oposições, carregado de um tom de bastião da ética. O verdadeiro papel desta, vale lembrar, é a discussão sobre as diferentes opiniões e a representação de todos os aspectos da sociedade na execução de projetos. A exaltação da ética deveria ser unanimidade nestes representantes da comunidade.

Esse papel de cobradores, de primeira a última instância, de inspetores dos rumos da nação é na verdade da sociedade. Enquanto esta continuar a “delegar” a função a quem não tem, ou se mostra despreparado tal responsabilidade, continuaremos com os despautérios que nos castigam, neste Brasil que segue batendo recordes na arrecadação, por meio dos impostos, em sociedade onde tudo falta e onde vê-se um Congresso Nacional no qual 25% deste tem os chamados supersalários (acima do teto constitucional de R$ 26,7 mil). Pensemos!

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”. Martin Luther King


Ari Lemos
NMConhecimento

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Cultura precisa da Lei Rouanet




A Lei Rouanet representa uma significativa mudança de paradigma na história da cultura nacional. Trata-se de uma legislação de fomento a atividade produtiva reconhecida no âmbito da economia da cultura, com o viés de priorizar manifestações notadamente brasileiras.

A reportagem de quarta-feira (18), desta Gazeta do Povo, edição de número 30.012, intitulada “Cultura não sabe o destino de R$ 3,8 bi da Lei Rouanet”, traz algo relevante: um relatório crítico que possibilitará o aperfeiçoamento do sistema, que hoje apresenta grande dificuldade operacional, beirando a ineficiência.

Algo que vem a corroborar com o que representa esta legislação à Cultura está na ampla procura pelo incentivo, o que demonstra que ela é exitosa em seus objetivos, além de ser o espaço onde o Estado, sem o dirigismo cultural, estabelece meios de fomento econômico da cultura nacional.   

O atual gargalo está no Ministério da Cultura que, sendo o agente credenciado a esta mediação com a sociedade, hoje se encontra com grandes dificuldades estruturais para cumprir sua função, tanto nos mecanismos de avaliação quanto na quantidade e qualidade dos profissionais disponíveis, ainda que se possa observar uma boa intenção. Além disto, nota-se uma evidente superficialidade e cartorialismo nas ações desenvolvidos pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, que valida os projetos que foram avaliados pelos técnicos do Ministério da Cultura e autorizam a realização dos projetos.

Um dos problemas apontados na matéria está na deficiência de metodologia de enquadramento dos projetos culturais, mais exatamente nos segmentos estabelecidos na lei, que implicam em favorecimento a projetos com capacidade comercial própria e que por sua vez não precisariam dos incentivos, em prejuízo àqueles que são da própria essência da Lei, como patrimônio cultural e a publicação de livros que tem sofrido injustas restrições.

O modelo propiciado na Lei em questão é importante em dois sentidos, primeiro porque submete os projetos interessados a uma avaliação de perspectiva cultural, que pode validá-lo como algo valioso para o conjunto da cultura nacional, o que na prática seria como uma certificação, independente até mesmo do recebimento do incentivo. E em um segundo plano permite a aproximação entre o produtor cultural e a iniciativa privada na constituição de uma visão de atendimento para uma clientela cultural própria.

Então, aumentar a eficiência do Ministério da Cultura em suas funções de enquadramento, avaliação e tomada de contas é urgente, assim como um maior esclarecimento para o empresariado nacional das virtudes promocionais da Lei Rouanet, tanto em relação ao produto cultural brasileira quanto da imagem coorporativa a ele vinculado.

Fábio André Chedid Silvestre
NMConhecimento

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Rock Therapy

Todas as pessoas do mundo deveriam fazer terapia
A minha é o rock and roll
Rock terapia 
Experimente.. . ... :) 



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Lei Rouanet ou Procultura?





Nova Lei Rouanet quer tirar poder decisório de empresas. Projeto destina 20% do IR deduzido para braço do Ministério da Cultura. Interferência do Fundo Nacional de Cultura visa pulverizar recursos pelo país; eixo Rio-SP hoje abocanha 80%. 

Uma proposta de mudança no modelo federal de incentivo à cultura joga nova pá de cal na Lei Rouanet. De 1991, o atual sistema é criticado por deixar a esfera privada decidir as produções que recebem patrocínio -deduzido do Imposto de Renda, via renúncia fiscal.

O ProCultura, projeto de lei que toma o lugar da Rouanet, vai propor que as empresas sejam obrigadas a destinar 20% desses recursos ao Fundo Nacional da Cultura. A ideia é que, por meio de editais, a entidade pulverize o financiamento pelo país. Hoje, o eixo Rio-São Paulo é imã de 80% dos recursos.

Se os tais 20% estivessem valendo em 2010, por exemplo, o fundo teria um aporte adicional de R$ 240 milhões. Relator do projeto na Comissão de Finanças da Câmara, o deputado Pedro Eugênio (PT-PE) pretende sugerir os 20% na próxima semana. Se esse teto for ultrapassado, diz, "as empresas podem ficar reativas" à retração do mecenato direto.

Atualmente, o Ministério da Cultura autoriza os projetos aptos ao subsídio, e só aí financiadores escolhem a quem associar sua marca.

CONFLITO

Desacordos rondam a recauchutagem da Rouanet. Prevê-se, por exemplo, um sistema de pontos para definir se o candidato à lei oferece contrapartida social (a partir disso, fixa-se uma porcentagem maior ou menor de renúncia fiscal).

O secretário de Fomento do MinC, Henilton Menezes, defende critérios mais objetivos, como gratuidade em eventos. Mas discorda que a pasta deva classificar "propostas inovadoras", conforme sugerido em 2010 na Comissão de Educação e Cultura. "Posso dizer que é inovador num Estado, e não no outro."

Versão anterior do projeto previa que patrocinadores bancassem do próprio bolso (ou seja, sem debitar do fisco) 20% dos recursos para os projetos apoiados.

Assim, fechava-se a janela para os 100% de renúncia fiscal (até o teto de 4% do total do imposto devido).
Isso cai no texto atual. Com o risco de as empresas recuarem, haveria "queda importante nos recursos captados", afirma o deputado Eugênio.



Matéria publicada no dia 07/12 por Anna Virginia Balloussier para Folha de São Paulo (Ilustrada).


Tarás Antônio Dilay
NMConheimento


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

#fatochuvoso



Nesta cidade somente pessoas que gostam de chuva sorriem.

Sorriem para cada momento do dia mesmo que não seja o momento.

Momentos são efemeridades que exigem um sorriso.

Pergunte para a chuva .




Tarás Antônio Dilay
NMConhecimento

domingo, 30 de outubro de 2011

O Último Bilheteiro



Era apenas mais um trabalhador como tantos desse país.
Saia de casa cedo, passava na pastelaria e tomava seu desjejum.
A mulher já falecera há mais de 12 anos e o que lhe restava era mesmo o seu trabalho.

Enquanto andava pelo calçadão rumo ao teatro, pensava com seus borbotões – “puxa, fazem 49 anos que trabalho de bilheteiro e tenho a certeza que no meu serviço, sou um especialista”.
Sorriu.. sempre gostou desta palavra, “coisa de doutor” como falavam lá na vila, e nunca havia se dado conta que também era um.




Seu primeiro emprego foi de entregador, passou a bilheteiro aos 19, e agora com 68 anos, começou a perceber suas conquistas.

Chegou à porta do teatro, girou a chave na porta e entrou. Não sabia que era a última vez que faria isso.
Enquanto subia as escadas refletiu sobre os anos de cochia....gostava de pensar ser importante como o último bilheteiro de carreira ainda em atividade. Outra vez até um canal de tv o entrevistou por isso.

Ao chegar ao lado do palco, desatou as cordas e puxou a cortina. O imenso palco se iluminou e lá estava sua esposa sorrindo e dançando como dali mesmo ele a tinha visto há 42 anos.

Olhou para para trás e sentiu-se satisfeito, seguiu em frente em direção a sua amada.

Chora o teatro, choram os artistas, chora a platéia.

Tarás Antônio Dilay
NMConhecimento