quarta-feira, 22 de abril de 2009

Patrimônio Histórico

A lembrança das qualidades históricas de um povo permite a estruturação do futuro.
Ter feito história, tornado-se patrimônio público e social perpétuo é um dos principais objetivos das sociedades avançadas, aquelas que se pretendem futuras.
Uma visão sobre o tema, patrimônio material (as coisas) e imaterial (os fazeres e saberes):



Núcleo de Mídia e Conhecimento

Uma Vida de Privilégios



A palavra privilégio porta alguns dos seguintes sentidos, entre outros, segundo o Michaelis
pri.vi.lé.giosm (lat privilegiu)

1 Direito, vantagem ou imunidades especiais gozadas por uma ou mais pessoas, além dos direitos comuns dos outros.
2 Licença ou permissão dada a certas pessoas ou coisas com exclusividade.
3 Direito, graça peculiar, prerrogativa.
4 Dom natural do corpo ou do espírito.
5 Dir Posição de superioridade, sancionada ou não por lei ou costumes, decorrente da distribuição desigual do poder político ou econômico.

As recentes questões postas em face dos gastos excessivos do Congresso Nacional, desde as passagens aéreas, as incorporações salariais, verbas de gabinete, apartamentos funcionais, nepotismo, bem como a constatação de que temos uma Poder Legislativo dos mais caros e ineficientes do mundo nos permite verificar o seguinte:

a) Precisamos disto e da forma como está?
b) Ainda que fosse adequado o custeio, recebemos a contrapartida do serviço demandado?
c) Os vícios decorrentes desta cristalização de privilégios não fazem somente piorar o futuro das escolhas que teremos?
d) Como imediatamente, alienar os interessados nos privilégios, impedindo-os de manipular as fontes e mecanismos de custeio?

Sem discutir as funções públicas dos Poderes de Estado, especialmente considerando que devem ser realizadas com autonomia institucional e segurança jurídica, é possível desbaratar o novelo de privilégios nefastos que formam ao longo do tempo, sendo criados e cristalizados em favor de pessoas e em detrimento das instituições?

Uma série de matérias de imprensa tem sido publicada neste sentido, umas dizem respeito ao custo excessivo desta função pública no Brasil:

- Fenafisp - Congresso brasileiro é mais caro que o do Primeiro ...
-
G1 Pesquisa: Congresso do Brasil é o mais caro
-
O Congressso Brasileiro é o mais caro do mundo para a população ...
-
Políticos Brasileiros são os mais caros do Mundo
- Congresso brasileiro é o que mais pesa no bolso da população ...


Outras abordam a ineficiência:
- Congresso aprovou menos de 3% dos projetos de 2008
- Notícias - ....para cada dois projetos apresentados ao Congresso Nacional pelo governo ... A "eficiência de 50%" é muito superior à verificada nas propostas cujos ...
-
Contas Abertas - ... Congresso: 15% das proposições apresentadas têm pouco impacto na vida do cidadão ... ou que não apresentam grande relevância para a população. ...
-
Congresso: 15% das proposições apresentadas têm pouco impacto na ...
-
Documento Reservado - Pedro Ribeiro - Mais de 50% das propostas legislativas não tem relevância ...

É portanto caro e ineficiente.

Com o modelo atual, não estamos conseguindo obter os melhores quadros, e com tantos privilégios temos uma maioria de representantes interessados nas benesses e não na produtividade.

A reforma política é inevitável, a reforma da administração dos serviços legislativos é inevitável e a escolha de membros mais qualificados da sociedade é inevitável.

A elite política encastelada não se presta mais à construção do futuro, pois quando entra na legislatura já está comprometida com o passado.

Temos mesmo que exigir apenas um serviço público de qualidade.

O problema é que as obrigações de serviço estão obnubiladas pelas benesses de poder.


Fábio André Chedid Silvestre

Núcleo de Mídia e Conhecimento

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Individualismo e Controle, a grande falha moral do capitalismo.



Ao ler o texto do Professor Marcos Fernades da FGV, postado no item anterior deste blog, logo salta aos olhos os dois elementos mais marcantes, e que se consubstanciaram na grande falha moral do Capitalismo atual.


A primeira diz respeito ao paradoxo GANANCIA x AMBIÇÃO:

Ambos os termos são cunhados por um traço marcante, o INDIVIDUALISMO, aquilo que se experimenta de forma intensa na democracia contemporânea, a liberdade exacerbada do "eu", e pior ,do "meu".

Aquilo que se reflete nas expressões consumidor, acionista, mas que não podem andar sem o conceito de cidadão, já que partes componentes e indissociáveis deste.

Os consumidores dos produtos das grandes corporações e os incentivadores financeiros da ciranda, os acionistas. E que, nestes casos são tão correponsáveis pela crise quanto qualquer executivo bonificado. Todos inflaram lucros inexistentes. São portanto culpados.

A segunda diz respeito às questões regulatórias, ditas pelo professor inexistentes. Coisa inadequada, pois o segundo nome do Capitalismo contemporâneo é MARCO REGULATÓRIO.

O que inexistiu foi o controle e fiscalização por parte dos acionistas, consumidores, mas especialmente por parte do cidadão. Veja que o Estado neo-liberal nesta equação, foi o grande garantidor do apocalipse econômico, enquanto mantinha guardadas as liberdades institucionais, fachada da grande lavanderia de capitais que agora estamos vivenciando.

O quer parece mais incrível é que não se trata de uma crise de fim de modelo, pois ainda estamos consumindo gasolina e água como se não fossem acabar.

O que estamos vivenciando é apenas a reacomodação (um eufemismo para reapropriação e lavagem de ativos) dos direitos de sobreviver ao fenômeno da volatilidade das expectativas exuberantes irracionais.

Já havíamos relatado a sequencia de ações securitárias que a economia real esta prestando à economia irreal, em nosso post "Patrocínio da Imcompetência".

Além disto, também sugerimos que a globalização não é um fenômeno econômico, mas genético, o que muda completamente o paradigma de expectativas sobre a circulação de riquezas, que não mais se encontra no "perpétum mobile" do capital, mas da continua associação em redes de pessoas, estas de fato a grande riqueza.

A questão posta é simples, a crise econômica foi legitimada pela falta de controle coletivo, pois os interessados, todos eles, e quem sabe em que medida cada um de nós, permitimos docemente esta tentativa fantasiosa de enriquecimento de indivíduos particulares em detrimento da sustentabilidade geral.

A América, a grande nação irracional, embora colorida e exuberante, matém uma grande quantidade de animais conservadores que ainda pensam-se individuais, e começam um movimento contrário ao Presidente Obama, com o seguinte slogan:


O que é meu não é seu e vice-versa, quando não afeta o que é nosso, de outra maneira, aos diabos com o conservadorismo capitalista.


Fábio André Chedid Silvestre
NMConhecimento

segunda-feira, 13 de abril de 2009

100 anos da Imigração Holandesa - IV Festa dos Imigrantes de Carambeí/PR

Há exatamente dois anos antes do centenário da imigração holandesa nos Campos Gerais, a cidade de Carambeí experimentou um pouco do que será o evento em 2011. Até lá, um extenso calendário de atividades culturais está sendo preparado para festejar a data.




Abrindo a festa, foi inaugurada a exposição e exibido o filme do projeto de parque histórico, acompanhado por um jantar típico. Autoridades da região, senadores, deputados estaduais, deputados federais e patrocinadores prestigiaram o evento e destacaram a importância da preservação da memória dos pioneiros holandeses para o patrimônio histórico brasileiro.

Até 04 de abril de 2011 acontecerão diversos eventos por ocasião das comemorações dos 100 anos da imigração holandesa e a IV Festa dos Imigrantes consolida Carambeí como um dos principais destinos turísticos dos Campos Gerais.

Promovida pela Prefeitura Municipal, com apoio institucional da Associação do Parque Histórico de Carambeí e da Associação para as Comemorações do Centenário da Imigração Holandesa e patrocínio institucional da Batavo Cooperativa Agroindustrial; neste ano, a IV Festa dos Imigrantes ainda teve o patrocínio da New Holand/Trator New.

Veja fotos da IV Festa dos Imigrantes de Carambeí

Mais fotos do evento

O Parque Histórico de Carambeí

Em uma área de 100 mil metros quadrados, anexo ao espaço da Casa da Memória, o Parque Histórico de Carambeí terá uma infra-estrutura cultural multiuso e servirá como equipamento educativo para todos da região e como destino turístico cultural, para visitantes do mundo todo. A sua constituição formal tem o objetivo de induzir um Arranjo Produtivo Local voltado para cultura, turismo e meio ambiente.


A Casa da Memória de Carambeí é o contraponto que mantém o acervo representativo das simbologias e dos objetos históricos. Está em processo de catalogação de suas peças para serem inscritas junto ao sistema museológico do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional.



O Museu do Trator é um setor da Casa da Memória que tem por objetivo preservar o acervo de tratores, equipamentos de tecnologia agroindustrial e das técnicas empregadas com seu uso. Principal conjunto de peças do acervo do Parque, o Museu do Trator hoje, está composto de 20 tratores bem preservados. Grande parte em pleno funcionamento. Além disso, apresenta um conjunto de implementos agrícolas e ferramentais de apoio, que será organizado para ocupar um espaço próprio por sua especialidade e variedade.

Tarás Antônio Dilay
NMConhecimento

quinta-feira, 2 de abril de 2009

PARQUE HISTÓRICO DE CARAMBEÍ, UMA REALIDADE.


O ser humano é um animal essencialmente cultural, tudo que sabe e faz decorre de seu desenvolvimento em sociedade. Com o tempo, a história.

Os processos de adensamento das diversas culturas, prestigiou a criação de uma variedade étnica surpreendente que miscigenadas, providenciam novos modelos derivados, porquanto autênticos.

Nos tempos atuais, a preservação do patrimônio histórico é uma das principais formas de manutenção destas múltiplas identidades e épocas, assim museus e casas da memória.

Em Carambeí, estes movimentos de evolução sócio-histórica estão em seu melhor momento, entendendo seu sentido de passado, materializado no presente e indutor do futuro.

Partindo da Casa da Memória de Carambeí, um acervo bem estruturado mantém viva a memória da épica colonização holandesa nos Campos Gerais, iniciada em 04 de abril de 1911, respeitando a presença tropeira e das demais etnias que, depois, incrementaram a história centenária do jovem município.

Do privilegiado mirante do século 21, a Associação do Parque Histórico de Carambeí, com o patrocínio da Batavo Cooperativa Agroindustrial e o apoio institucional da Prefeitura Municipal pretendem a consolidação do projeto de um grande parque histórico, para celebrar este arranjo social de valor intangível inestimável, e agora, atemporal.

O Parque Histórico de Carambeí é uma infra-estrutura composta por cinco elementos culturais integrados e complementares, combinados ao redor do bem elaborado acervo da Casa da Memória.
São eles:

  1. Casa da Memória e Jardins Frontais;
  2. Centro Cultural Amsterdã com área reservada para equipamento cultural multiuso;
  3. Vila Rural Antiga com Jardins e Outras Etnias;
  4. Parque de Exposições;
  5. Engenharia das Água com área reservada para Escola de Águas e a Fazenda Modelo Mirim;

Esta proposta permite aglutinar todos os elementos necessários para consolidação do patrimônio histórico material e imaterial desenvolvido na região ao longo destes cem anos:

- O espírito perseverante da colonização;

- O processo ético cooperativo;

- O avanço tecnológico desenvolvido;

- A cosolidação histórica decorrente;

Como indutor de um Arranjo Produtivo Local, integrado na economia da cultura, será um centro de formação e produção cultural como espaço público regional. Como destino de visitantes, integrará as rotas de turismo cultural dos Campos Gerais e do Paraná.

A IV Festa do Imigrante de Carambeí é um momento de preparação para a consolidação da ampla matriz étnica de Carambeí, pioneiramente iniciada pelos holandeses, e que oferecem sua colaboração cultural para a comunidade e para o Brasil, onde será lançada a pedra fundamental do projeto do Parque Histórico de Carambeí.

A celebração do centenário da colonização holandesa nos Campos Gerais em 2011 será marcada por uma série de programações e produtos culturais, culminando com a inauguração do Parque Histórico de Carambeí.

Veja mais:

Formação Histórica de Carambeí

A Cultura como Pauta do Encontro Nacional de Prefeitos

A Valorização do Patrimônio Histórico


Fábio André Chedid Silvestre

NMConhecimento

segunda-feira, 9 de março de 2009

Para Conhecer o Modelo de Tratamento do Lixo Urbano na Região Metropolitana de Curitiba


O problema da coleta e tratamento de lixo na Região Metropolitana de Curitiba já vem se prolongando desde 2007, quando determinou-se por saturado o modelo de aterramento indiscriminado do material coletado.


O Ministério Público, que vem acompanhando esta questão, elencou um breve histórico do embrólio jurídico que se estabeleceu ao redor da questão, especialmente pela ação das empresas privadas que ainda hoje controlam a coleta do lixo, mas não promovem qualquer atividade sustentável com a matéria-prima, assim:


3 de dezembro de 2007 – O Consórcio Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos, formado por Curitiba e outros 14 municípios da região metropolitana, lança edital de licitação para a contratação da empresa que tratará o lixo produzido nas 15 cidades. O objetivo é parar de utilizar o aterro da Caximba, que recebe 2,4 mil toneladas de lixo por dia.
- 3 de março de 2008 – O Consórcio analisaria as propostas das empresas participantes da concorrência, mas a licitação é suspensa pela Justiça.
- 15 de abril de 2008 – O Ministério Público do Paraná recomenda à prefeitura de Curitiba que notifique grandes geradores para que parem de enviar lixo orgânico à Caximba. O prazo era de 15 dias, mas até agora nada foi feito.
- 12 de agosto de 2008 – A Justiça derruba as liminares que impediam a licitação, mas os grandes geradores continuam enviando cerca de 250 toneladas de lixo orgânico por dia à Caximba.


Contudo, a visão metropolitana da questão prevalece, tendo sido criado o Consórcio Intermunicipal para Gestão dos Resíduos Sólidos, uma parceria entre os quinze municípios circunvizinhos à capital, inclusive com a participação do Estado do Paraná.


O processo licitatório continua em andamento, agora sem embargos jurídicos momentâneos.


A idéia de reciclagem com geração de valor nos sub-produtos da coleta seletiva é a tônica, à medida em que duas situações, a reutilização e compostagem são utilizadas para diminuir a pressão sobre as áreas de aterro, aumentando sua vida-útil e racionalizando os impactos da indiscriminada manutenção de diversidade de resíduos no mesmo local, com óbvio impacto ambiental de escala.


O mais importante é a população tomar conhecimento do modelo de gestão futura que se pretende, pois a seletividade é o centro do processo, e certamente começa nos lares e nas empresas.


Vamos fazer a nossa parte e fiscalizar o sistema consorcial que se instaura.


Fábio André Chedid Silvestre

NMC - Núcleo de Mídia e Conhecimento


segunda-feira, 2 de março de 2009

Transparência e Corrupção, Cidadania e Ação




Estamos observando o cenário onde se deduz o debate e os implementos públicos para a busca do que se consolidou chamar de Transparência Pública.

A incessante luta contra os poderes desviantes do sentido republicano do estado democrático de direito, vulgarmente conhecidos como corrupção nos leva a crises de legitimidade sem solução.

Com a tomada de posse dos novos gestores no início deste 2009, o cenário de oportunidade de controle social das ações de estado são infinitas, mas dependem de exercício da cidadania, fiscalização e controle, individual e coletivo.

Contudo, o nível de percepção da corrupção, pesquisa elaborada anualmente pela Transparência Internacional, elencou o Brasil em posição pior do que nos últimos anos.

Esta é a perspectiva do estudo da instituição em 2008.

Em artigo publicado no Paraná On Line, o ex-deputado Helio Duque aborda a questão, a partir do livro de Bolívar Lamounier, Cultura das Transgressões no Brasil (Editora Saraiva), posicionando-a segundo uma certa tradição de corrupção endêmica no país, e que não teve perspectiva de evolução, assim analisando:


" "O Brasil é essencialmente corrupto e precisamos encarar isso. Vivemos há cem anos a ilusão de que com o crescimento econômico e a melhoria educacional tudo vai melhorar. O País está mais rico e, ao que tudo indica, mais corrupto." O diagnóstico é do sociólogo e pesquisador Bolívar Lamounier, autor de livros e trabalhos acadêmicos onde conceitua que os veios da corrupção nas entranhas do Estado brasileiro estão profundamente enraizados. No seu livro Cultura das transgressões no Brasil (Editora Saraiva), Lamounier analisa fartamente que o problema da corrupção é tentacular. A impunidade é ampla. O patrimonialismo estatal obriga uma relação simbiótica do mundo empresarial com o governo, que está presente em setores fundamentais da economia. No Brasil, a transgressão é generalizada, acontece pela incapacidade de aplicação da lei e basicamente por motivação econômica."


A lamentável conclusão a que chega o articulista é desoladora:


" O rebaixamento da vida nacional pela multiplicação dessas ilicitudes, diferentemente do que proclama a ladainha oficial, com notável cinismo, nos afasta dos padrões de uma sociedade decente."


Em verdade, quem espera que o ladino se dasanime, para manter a integridade de seus direitos, é menos cidadão do que ele próprio.

Os meios fiscalizatórios estão postos, a sociedade civil organizada esta livre, e o estado esta aparatado para reagir.

Resta saber quem cobra de quem, pois transparência não é honestidade é fiscalizabilidade.


Fábio André Chedid Silvestre

NMC - Núcleo de Mídia e Conhecimento